Minha ressonância deu condropatia, e agora?

Essa pergunta é certamente uma das mais ouvidas pelo especialista em joelho no seu consultório. Mas, afinal, o que é condropatia? Porque acontece? É cirúrgico???

Inicialmente vamos entender um pouco do que se trata. Nas articulações, as extremidades ósseas são revestidas por uma cartilagem composta de proteínas, fibras de colágeno e água. Esse revestimento protege as extremidades e possibilita um movimento suave e com menos atrito. No joelho ocorre movimento e interação entre as cartilagens do fêmur, tíbia e patela.

O termo “Condro” (do grego khondro) se refere a cartilagem e o sufixo “patia” significa moléstia ou doença. Portanto condropatia se refere a uma alteração na cartilagem articular. De acordo com a intensidade da lesão, nós classificamos de I a IV, sendo I apenas o amolecimento, passando por fibrilação (II), rachaduras ou fissuras (III) até erosões mais profundas (IV).

O termo “Condromalácia” siginifica amolecimento ou degeneração da cartilagem articular da patela. Durante muito tempo, foi utilizado erroneamente para se referir ao conjunto de causas de dor no joelho que hoje conhecemos como Síndrome da dor anterior do joelho ou Síndrome femoropatelar.

Tão importante quanto saber que há uma lesão é saber o que está causando essa lesão !! As causas principais são:

  • Trauma – Contusões, pancadas, quedas e deslocamento da rótula podem machucar a cartilagem
  • Displasia patelo-femoral – Nessa situação, a articulação do fêmur com a patela não está normal (“Defeito de fábrica”).
  • Condromalácia Idiopática
  • Osteocondrite dissecante – Doença que descola a cartilagem.
  • Plica Sinovial – resquícios de membranas embrionárias que podem inflamar dentro do joelho.

A degradação da cartilagem ocorre por questões biomecânicas (nas alteração da mecânica habitual da patela) ou bioquímicas (em doenças como artrite reumatoide ou infecções bacterianas).

O diagnóstico da Síndrome da dor anterior do joelho é clínico, podendo ser detalhado através de radiografias, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

O melhor tratamento a ser instituído é aquele que visa tratar a causa do problema e não apenas as suas consequências. Por isso não há “receita de bolo” nessas situações. Devemos sempre individualizar ao invés de generalizar. Na maioria dos casos o tratamento se inicia de forma conservadora e os nossos principais recursos são:

  • Fisioterapia: Fundamental! Exercícios de alongamento de músculos posteriores, fortalecimento do quadríceps e equilíbrio do quadril são fundamentais no tratamento!
  • Anti-inflamatórios: medicações que ajudam a controlar a dor e processo inflamatório.
  • Analgésicos: ajudam no controle da dor.
  • Condroprotetores: Substâncias a base de Sulfato de Glicosamina e Condroitina.
  • Viscossuplemento: Infiltrações de Hialuronato dentro do joelho.  Saiba mais aqui!

Alguns casos necessitam de tratamento cirúrgico para correção de eventuais desvios que causam a condropatia ou para tratar as próprias lesões na cartilagem. As principais opções são:

  • Realinhamento da patela – Pode ser feito através de técnicas de reconstrução do ligamento patelo-femoral medial, osteotomias (corte no osso) ou liberação e avanço de partes moles.
  • Artroscopia: para visualizar e tratar lesões.